O termo "Buckfast®" foi usado pelo irmão Adam, em publicações ou artigos relacionados com o seu trabalho de seleção (uma abelha produzida na Buckfast Abbey®). O motivo para o registo da marca Buckfast® é evitar possível degradação, devido à incompetência ou ignorância do "auto-proclamado" criador Buckfast® . Em Portugal serve para que ninguém se aproprie do nome Buckfast® inadequadamente, tendo como objetivo a união de criadores para reproduzir o mais próximo da qualidade das rainhas fornecidas pelo irmão Adam.




                 Buckfast Portugal


                                     

                                                       

                      Gestão Integrada em apicultura "Buckfast apis Mellifera".



Relatório da Estação de Acasalamento
Branda da Aveleira.
2018



(RELATÓRIO PRÁTICO DA ESTAÇÃO DE ACASALAMENTO DIRIGIDO “(AVEL)





Índice



  • Localização e Agradecimentos
  • Sumário
  • Pedigree
  • Descrição Prática
  • Palestra
  • Apiturismo
  • Ponto da situação
  • Bibliografia

                 





Localização e Agradecimentos



Img. 1 (Península Ibérica)


Estação enquadrada na península Ibérica, mais precisamente na Branda da Aveleira, região do Alto Minho. Com muito esforço, tentamos manter a Estação de Acasalamento Dirigido (EAD) - AVEL segura e limpa de poluição genética. Com a ajuda dos apicultores, conseguimos evitar outras raças de abelhas. Disponibilizamos, neste ano, a quantia de 12 colmeias a produzir zangões, para garantir uma cópula das rainhas dos apicultores participantes de Portugal, Espanha e outros países. Antes de mais, queremos agradecer a todos os participantes que alimentam e enriquecem esta EAD de extrema utilidade. Não podemos deixar de referir e agradecer ao Município de Melgaço, à Junta de Freguesia da Gave e Cousso, à Associação Apícola de Entre Minho e Lima e também a toda a massa associativa da Buckfast Portugal.





Sumário

O nosso projeto tem como objetivo, desde o início, aprofundar uma série de argumentos que se relacionam com a reprodução de abelhas rainhas e mini-plus de acasalamento da raça Buckfast. Falando da EAD, reparamos que o primeiro ano foi de grande motivação, o segundo ano de experiência e o terceiro de calamidade.

Img. 2 (Abelhas Buckfast, mantêm características morfológicas que remontam à época do Irmão Adam)

O presente relatório descreve a atividade de reprodução e gestão da EAD da Branda da Aveleira no período compreendido entre Junho de 2017 a Junho de 2018. 
O número de colónias produtoras de zangões, assim como o número de mini-plus, tem vindo a aumentar progressivamente ao longo do tempo. No presente ano foram confirmados 490 mini-plus, ao passo que no relatório anterior esse número manteve-se muito abaixo destes parâmetros. 



Img. 3 (Apiário de Felgueiras, fotografado a 15 de Outubro de 2017)

Img. 4 (Apiário de Devesa, fotografado a 15 de Outubro de 2017)

Entre Junho de 2017 e a época de 2018, que normalmente vai de 21 de Março a 21 de Junho, conseguimos alcançar o objetivo de 100 colónias produtoras de zangões. Contudo, vivemos a experiência de duas grandes catástrofes. A primeira, foi o incêndio de 15 de Outubro de 2017, queimando 64 colónias, todas irmãs e filhas de B413(PG).


Img. 5 (Apiário de Aveleira, fotografado a 11 de Dezembro de 2017)

Img. 6 (Apiário de Aveleira, fotografado a 11 de Dezembro de 2017)
A segunda, refere-se à tempestade Ana que atingiu a nossa zona a 11 de Dezembro de 2017, deixando um rasto de destruição de 24 colónias irmãs e filhas de B413(PG). 
Trata-se de uma informação imprescindível neste relatório, tendo em que, após análise criteriosa, avalia as perdas em 88 colónias, ficando apenas 12 para produção de zangões.




Img. 7 (Ninho de Vespa Velutina)

A fixação da vespa velutina tem aumentado na nossa região. É uma praga que se mantém há 7 anos e só o homem a pode eliminar.


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Img. 8 (Imagem atual, fotografada em abril de 2018)                                             mg. 9 (imagem fotografada em 2017)
Cada vez mais, estou preocupado com os furto de colmeias. Algo raro, mas a verdade é que todos os anos vão desaparecendo uma ou outra colmeia dos meus apiários. Podemos ver o antes e o depois do furto que eu deduzo ter sido na noite de 29 de Abril de 2018.


1ª. Dimensão: selecção :


 
Img. 10 (Fotografia mostrando a inseminação de uma rainha Buckfast)

Na Inseminação e selecção,  as melhoras foram evidentes. "Inseminação a 100%" foi o lema encontrado para o trabalho desenvolvido durante o ano de 2018. É claro que estamos a falar num caminho iniciado em 2010 e, ano após ano, tenho de reconhecer que conseguimos!


2ª. Dimensão: Expansão :


Img. 11 (Apicultores interessados na expansão da abelha Buckfast)

A expansão de material genético traz-nos o feedback de resultados tais como: mansidão, resistência a patologias, produção e adaptação as diversas condições ambientais, etc. No entanto, tenho que reconhecer erros transatos. Contudo, os apicultores devem  ter em conta que a falar é que a gente se entende: assim como se dá solução quando a rainha sai defeituosa, também queremos dar apoio quando a rainha desenvolve uma colónia agressiva ou não se adapta às condições ambientais.






PEDIGREE (Árvore Genealógica)


Img. 12 (Certificado  genealógico de uma linha de reprodução)
Na reprodução de abelhas de raça pura tem obrigatoriamente de existir um livro de reprodução (stud book), método também utilizado em cães, gatos, cavalos, etc., a fim de determinar a origem. No caso das abelhas, essa genealogia é chamada de pedigree. Os pedigrees das abelhas Buckfast de vários produtores podem ser encontrados no site administrado por Jean-Marie Van Dyck:
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O apicultor reprodutor, na venda de matrizes puras tem que fornecer o pedigree. Na venda de rainhas virgens e F1 de fecundação livre (não sendo numa estação de acasalamento), o pedigree da rainha pode ser emitido se essas rainhas tiverem como destino a reprodução de zangões. Se for o caso de reprodução de rainhas F1 de fecundação livre, com certeza que não dará abelhas Buckfast, porque só é Buckfast quando o pai e a mãe são Buckfast. Ao comprar a rainha certifique-se que é acompanhada de pedigree, porque pode ser um híbrido.

Dá-se o caso de pioneiros de renome apresentarem linhas diferentes, cruzadas com buckfast e promovem-nas como Buckfast (é um erro: deveriam levar o nome do criador). Contudo, não descarto a ideia de fusão, mas primeiro deve ser acompanhada pelo menos dez anos e, se os resultados forem satisfatórios, dar-se-ia o caso de ser  utilizada como produtora de zangões. Caso contrário, é abandonada.
Ao contrário dos mamíferos, a linha feminina é central para as abelhas. Cada rainha de raça pura reproduzida recebe um determinado número que, acompanhado das iniciais do produtor, vai identificar a matriz. Todas as rainhas irmãs que são acasaladas por zangões da mesma linha são identificadas com o mesmo número. Além disso, constam as linhas descendentes e os antepassados ​​femininos, o ano e onde se deu o acasalamento. O pedigree escreve-se da seguinte forma: B107 (PG) = .17-B148 (PG) AVEL B074 (CD): B  (raça Buckfast); 107 (Rainha); PG (criador: Paulo Gonçalves); 148 (mãe da Rainha Buckfast 107); AVEL (Estação de Acasalamento Dirigido da Branda da Aveleira; B074 (pai da rainha 107). Dessa forma, também se pode voltar uma geração anterior na linha feminina. B148 (PG) = 14 - B117 (PG) INS B003 (JTG). O que significa: Rainha  Buckfast 148 reproduzida por Paulo Gonçalves de larvas da Rainha 117 que foi reproduzida por Paulo Gonçalves e inseminada em 2014 por zangões produzidos pela rainha 003 de JTG. A descrição acima mostra como se escreve um pedigree.
As linhas utilizadas na produção de zangões podem ser vistas aqui graças a Jean-Marie van Dyck:
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Img. 13 (Esquema do pedigree da linha utilizada como colónia pai)

Em 2018, as colónias de zangões da linha de reprodução acima identificada vêm da linha do criador Poul Erik Sørensen † 2012. Foram reproduzidas pelo criador de raça pura Paulo Gonçalves. Trata-se de uma excelente linha. que inverna bem e, na temporada, mantém consideravelmente bons resultados de produção de mel. 




Descrição Prática

Img. 14 (Admirar uma colmeia de Abelhas Buckfast)

O acasalamento das abelhas acontece em voo. As rainhas e zangões voam longas distâncias e encontram-se nos chamados locais de congregação de zangões, que muitas vezes são desconhecidos para o apicultor. No entanto, a fim de permitir um acasalamento seletivo de rainhas virgens e zangões selecionados, as rainhas virgens reproduzidas de uma mãe selecionada são levadas a locais especiais para o efeito, na época de acasalamento. A equipa da estação tenta ter nas proximidades apenas zangões da linhagem desejada. Isso é feito, principalmente, através dos cruzamentos na área da estação para proporcionar um acasalamento seletivo da rainha com os zangões selecionados. Normalmente, todas as rainhas para fins de reprodução são levadas a locais especiais nas datas de acasalamento.

Este ano foi a 3ª época na nossa Buckfast-cópula dirigida e, com muito esforço, conseguimos concluir o trabalho. 

A estação de acasalamento só abriu a partir de meados de Abril., devido às condições ambientais.

Img. 15 (fotografia de um mini-plus de acasalamento)

O trabalho com os mini-plus iniciou a fins de Abril por motivos acima referidos que se fizeram sentir nos primeiros quatro meses deste ano.

Produzir abelhas rainhas e orientar a reprodução da nova linhagem, na Estação de Acasalamento Dirigido, exige um esforço árduo: a mão de obra directa ou indirectamente; atendimento aos apicultores-criadores; o controle das colmeias; um posto operativo de colocação de mini-plus; colocação de alças; planeamento e produção de mel; o trabalho de limpeza dos terrenos e preservação do ambiente para conservar o património em que trabalhamos.







Palestra

Img. 16 (abelhas B36[PG])

Apresentar o objetivo da Estação de Acasalamento à Associação Apícola de Entre Minho e Lima (APIMIL) foi uma experiência gratificante, permitindo-me expor-lhes a minha forma de trabalhar e conhecimentos acerca da reprodução e acasalamento.

Img.17 (Apresentação da Estação de Acasalamento)

Foi com enorme satisfação que ouvi da equipa da APIMIL (entidade gestora da zona controlada do Alto Minho) o reconhecimento da Estação e da abelha Buckfast, o que acaba por nos tornar cada vez mais reconhecidos enquanto criadores. Por isso, digo com mais convicção, a todos os interessados e ambiciosos, para participarem neste projeto que é a Buckfast Portugal

 Img. 18 (Membros da APIMIL na Estação de Acasalamento)
Tenho a certeza de que não há nada mais gratificante na vida profissional quando o nosso trabalho é de extrema utilidade e importância para alguém, sobretudo quando o reconhecimento vem da Associação Local (APIMIL). Foi o que aconteceu no dia 27 de Maio de 2018.





Apiturismo




Melgaço tem uma grande oferta turística, com uma vasta diversidade de paisagens, nas quais a Branda da Aveleira se destaca pela paisagem selvagem da serra da Peneda. Ao visitar a Branda da Aveleira também vai descobrir todo o encanto que a apicultura envolve, o que tornará a sua viagem numa grande experiência. Isso mesmo foi o que aconteceu aos “Caminheiros da Portela”, de União Freguesias Moscavide Portela Loures. No dia 7 de Outubro, visitaram a montanha mágica e finalizaram com a visita a um apiário.
De facto, é uma experiência ímpar estar próximo de uma colmeia; ser acariciado por abelhas Buckfast que beijam nossas mãos e, por vezes, o rosto; talhar um naco de mel e lambuzar-se, mesmo ali, entre as abelhas em festa pela alegria da nossa presença: isto é fazer apiturismo e mudar radicalmente o relacionamento entre o ser humano e a 

abelha.









«ponto da situação»

Img. 25 (Lago da Aveleira)                                                                                Img. 26 (Favo de Mel)
Estamos a falar de um projecto inovador em Portugal! O nosso objetivo é fornecer a melhor linha de zangões de alta qualidade. Ouse entrar nesta aventura e ficará surpreendido; trabalhe connosco e não deixará de nos recomendar.

O que temos de bom? 
Salienta-se o ambiente favorável para o próximo ano 2019, atraindo as atenções dos apicultores buckfast nacionais e internacionais.

Onde podemos ser melhores? 
Nos serviços e no marketing: reparamos que os apicultores Buckfast detêm uma representatividade reduzida e a adesão nacional fica aquém do esperado, devido ao elevado grau de conservadores que influenciam pela negativa. 

Como podemos continuar a evoluir? 
É imprescindível a formação, quer teórica quer prática, porque só assim podemos fazer frente ao nível de perdas ocorridas durante a época de acasalamento, apostando numa campanha com melhor qualidade e maior sucesso. Porém, este desenvolvimento deve ser acompanhado pela Buckfast Portugal com muita seriedade, preservação da Estação da Branda da Aveleira e evitando a já conhecida “fraude Buckfast”.




Bibliografia

Comunidade Europeia de Apicultores Buckfast: http://wp.gdeb.eu/

Este relatório apresentado por Paulo Gpnçalves, está pronto e vai fazer parte dos arquivos da Buckfast Portugal.