O termo "Buckfast®" foi usado pelo irmão Adam, em publicações ou artigos relacionados com o seu trabalho de seleção (uma abelha produzida na Buckfast Abbey®). O motivo para o registo da marca Buckfast® é evitar possível degradação, devido à incompetência ou ignorância do "auto-proclamado" criador Buckfast® . Em Portugal serve para que ninguém se aproprie do nome Buckfast® inadequadamente, tendo como objetivo a união de criadores para reproduzir o mais próximo da qualidade das rainhas fornecidas pelo irmão Adam.

Apiturismo

https://abelhadebuckfast.blogspot.com/
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Posted by Facebook on Friday, December 5, 2014

Reunião 2020

Reunião da Buckfast Portugal ao ar livre
para assegurar o distanciamento social entre associados.





Presidente da Buckfast Portugal

Carla Cristina Esteves




                 Buckfast Portugal


                                     
2019

                                                       

                      Gestão Integrada em apicultura "Buckfast apis Mellifera".



Relatório:

Reprodução

Apiários

Estação de Acasalamento Dirigido da Branda da Aveleira

Inseminação de abelhas Rainhas





Índice



  • Agradecimentos
  • Sumário
  • Pedigree
  • Descrição 
  • Palestra
  • Apiturismo
  • Ponto da situação
  • Bibliografia

                 





Agradecimentos


Img. 1 (Grupo de apicultores, criadores, técnicos e investigadores nacionais e estrangeiros)
Agradeço a toda a equipa da Buckfast Portugal, envolvida neste trabalho de reprodução;    a todos os que não puderam participar, mas sem os quais não seria possível enriquecer a Buckfast Portugal com um trabalho visível e excelente.  É um enorme gosto e privilégio trabalhar com profissionais assim. 
Como é normal existem modelos de trabalho diferentes, mas conseguimos trabalhar todos muito bem em conjunto, com a certeza de que para a próxima temporada apícola o conhecimento das diferentes visões que temos de reprodução tornará ainda tudo mais eficaz.
 A todos, obrigado!


Sumário

Orgulho-me de ter oito anos de experiência em projetos de inseminação; de fazer parte de uma organização como a Abbey-Associação Buckfast Portugal com 4 anos  na coordenação em Estação de Acasalamento Dirigido, Acasalamento com tempo de voo controlado e Pedigree de abelhas Buckfast; de participar numa equipa de trinta apicultores espalhados por todo o país e vizinha Espanha; de partilhar experiências com criadores e investigadores espalhados por toda a Europa para conseguirmos um resultado final de excelência.

Img. 2 (Abelhas Buckfast, mantêm características morfológicas que remontam à época do Irmão Adam)

A seguinte foto mostra o apiário onde vou agilizando e melhorando processos de trabalho como reprodução de rainhas Buckfast, testes com os núcleos de acasalamento, dando assim asas ao meu potencial apícola. 



Img. 3 (Apiário de Virtelo, 2019)

Img. 4 (Rainha ascendente de Sinop62R)

Dia após dia invisto em tempo e trabalho  para que a genética de Buckfast Apis mellifera me abra as portas para um mundo novo. Um mundo cheio de complexidade. Porém, há que persistir na motivação e trabalhar duro para criar muitos mendelianos!


Img. 5 (Guia de reprodução)

Img. 6 (Apiário de Fulgueiras)
O projeto para refazer os apiários de Monção, dizimados pelos incêndios de há 3 anos, vai funcionar a partir de 2020, e também servirão de apoio de colónias para a EAD.  




1ª. Vespa Velutina (asiática):

Img. 7 (Ninho de vespa asiática no subsolo)


Foi identificado, pela primeira vez, em território de Melgaço a evolução da vespa para ninhos de subsolo. Sim, os ninhos costumam ser implantados em locais de difícil visibilidade, geralmente nas copas das árvores ou em arbustos. Em Virtelo, registaram-se vários ninhos em descampados agrícolas, onde procuraram os valados para edificar os seus ninhos. Convém ter a noção de que estes insectos causam grandes prejuízos na produção de mel e na polinização, já que são predadores de abelhas. 
             Img. 8 (Terreno agrícola)

Img. 9 (Ninho de vespa asiática numa copa de árvore)

1ª. Furto de mel:

Img. 10 (Apiário da Branda)


Img. 11 (Colmeia com quadros de mel)


Img. 12 (Colmeia com duas meias alças)


Img. 13 (Colmeia com alça sem quadros de mel)

Numa visita de rotina aos  apiários da Branda da Aveleira fiquei estupefacto com o cenário que encontrei. Depois de visualizar as colmeias, reparei que as abelhas estavam intactas, o único que faltava era mesmo os quadros com mel (furto de Mel).  Mas este é um caso isolado já que não há registo de outros furtos de mel no concelho. O roubo aconteceu a 8 de Setembro de 2019. 

1ª. Dimensão: selecção:

Img. 14 (inspeção de uma colmeia)


Quando iniciamos um novo trabalho, o facto de ser novidade, é sempre um desafio, sobretudo quando se procura uma abelha resistente à varroa. Por isso, tenho vindo a observar e selecionar de forma a conseguir um determinado grupo de colmeias para iniciar o  “VSH-Iberico”. As colónias com vigor saudável eliminam-a da ninhada aberta e operculada e, assim, impedem amplamente uma propagação epidérmica de doenças reprodutivas. 

             Img. 15 (Varroa)

           Img. 16 (Enxame)
Img. 17 (Apiário e núcleos de acasalamento)



2ª. Dimensão: Expansão:

Img. 18 (Entrevista para a RTP)


Img. 19 (Produtos gastronómicos)


Img. 20 (Mel mono-floral de urze)

Os Criadores de rainhas Buckfast que querem obter vantagens e aumentar a estratégia do seu negócio com a marca Buckfast devem dedicar uma  atenção especial ao modo como irão comunicar, posicionar, divulgar conteúdos e expor o crescimento estratégico e sustentação do seu negócio. A publicidade consiste em popularizar uma ideia ou conceito, podendo recorrer a diversos meios. Para que um negócio tenha sucesso no mercado e alcance seu público alvo, é importante que o apicultor-criador trabalhe de forma integrada (da Abeey-Associação Buckfast Portugal).

Img. 21 (Entrevista ao Jornal Publico)






PEDIGREE (Árvore Genealógica)


Img. 22 (Registo de pedigree de 2019)
A inseminação artificial permite um acasalamento dirigido com a máxima segurança e serve de pilar auxiliar na apicultura reprodutiva.
A verdadeira beleza e o cativante aspecto da apicultura não é um gasto desnecessário de dinheiro, tempo e trabalho, mas sim um entendimento correto das necessidades adoptadas por nós, uma aplicação dos meios e medidas mais simples e adequadas a esse conhecimento.



Descrição EAD da Branda da Aveleira

Caros apicultores Buckfast,
A EAD da Branda da Aveleira está situada entre 900 a 1200m de altitude e uma área  periférica de 90% de montanhas de 1300m. Um raio de cerca de 6 a 8 km em redor está livre de colmeias, os restantes 5% a nordeste são montanhas de 1100 m com árvores altas, os 5% a sudoeste são uma cordilheira de drenagem.


Convém serem cuidadosos na escolha dos mini-núcleos, pois estarão expostos ao clima severo das montanhas agrestes do norte.
Chamamos a atenção para reservas suficientes: na área de voo das abelhas há muito pouca ou nenhuma flora apícola disponível na época de cópula.
Img. 23 (maquete tridimensional da serra da Peneda)


A alta herdabilidade da abelha Buckfast mantém características em linhagens que se intensificam por meio de seleção e acasalamento dirigidos.  
             Img. 24 (mini-núcleo)



Regulamento para a Estação de Acasalamento Dirigido da Branda da Aveleira.




  • A Estação de Acasalamento Dirigido (EAD) é um local que presta serviço a associados da Buckfast Portugal e comunidade europeia de criadores da abelha Buckfast. A associação é responsável pela manutenção e pela burocracia.

  • Um apicultor (gerente) é nomeado pela associação e é o responsável pelo maneio adequada na EAD. O gerente da zona (estação) pode nomear pessoal adicional, em coordenação com a associação.

  • Os associados da Buckfast Portugal usufruem do direito de cinco mini-plus (rainhas) grátis. Para a excedência será cobrada uma taxa de 5€ por cada rainha. Os associados de outras Associações Buckfast podem entregar os mini-plus pelo mesmo valor. Os apicultores da periferia da EAD também podem entregar rainhas à cópula e ser-lhes-á cobrado 10€ por mini-plus.

  • Os mini-plus devem estar em concordância e harmonia com este regulamento. As instruções da equipa da EAD devem ser respeitadas.

  • Antes que as rainhas sejam entregues, um pedido deve ser feito à associação Buckfast Portugal ou gerente da EAD, no qual a quantidade e data são acordadas. Mais detalhes serão anunciados no Blog da associação em www.buckfast.pt

  • Após a entrega e levantamento, uma inspeção será realizada pela equipa (responsável) da EAD. O não cumprimento deste regulamento pode resultar na rejeição de toda a entrega.

  • Não é permitido a colocação de criadeiras (iniciadora e continuadora).

  • O associado ao colocar os mini-plus tem que ter noção que é por sua conta e risco. A associação não assume nenhuma responsabilidade. O operador (gerente) não tem responsabilidade, nem fornece um seguro de catástrofes naturais e roubo.

  • Cada apicultor (criador) escolhe as suas próprias caixas (mini-núcleos ou mini-plus).

  • Os apicultores (criadores) só lidam com as suas próprias caixas. Manusear caixas de outros apicultores (criadores) é considerado um dano à propriedade alheia e causa exclusão imediata e permanente da EAD.

  • Não pode ser dada nenhuma garantia no sucesso do acasalamento.

  • Para a inscrição na EAD deve constar:
    Dia de entrega e levantamento;
    Criador, nome e residência;
    Número de telefone;
    Número de rainhas a entregar;
    Entrega do certificado sanitário ou folha com análises de indivíduos adultos e criação;
    Montante da taxa a ser cobrada;
    Assinatura do criador.

  • É necessário um certificado para aquisição de matriz estrangeira.

  • Todos os mini-núcleos e mini-plus são permitidos para entrega. A instalação para as cassetes deve ser realizada pelo próprio apicultor. Certifique-se de que as caixas estejam em perfeitas condições. As unidades são à prova de intempéries e têm o nome e o endereço do criador: sem marcação não podem ser instaladas.

  • O tempo de permanência das caixas, normalmente é de duas semanas. Em casos excepcionais, uma permanência mais longa pode ser acordada com o gerente da EAD.

  • Os mini-plus devem ter um excluidor de zangões. A equipa da EAD verificará isso na entrega. Sem excluidor de zangões não podem ser colocados.

  • O resultado da reprodução deve ser comunicado pelo criador num prazo máximo de 30 dias, após a recolha do mini-plus.

  • A ancestralidade das colónias de zangões  será anunciada antes da temporada da estação (campanha) na página inicial da associação. O gerente tem a legitimidade para a supervisão e a responsabilidade pelas colónias pai, assim como determinar a duração (tempo em que a EAD se encontra aberta à cópula).

  • As datas de entrega e recolha para a estação (EAD) são regulamentadas separadamente.

  • As taxas inicialmente descritas serão cobradas no ato do levantamento das caixas.

  • A quantidade e data são acordadas. Mais detalhes serão anunciados no Blog da associação em www.buckfast.pt

  • Deve dar conhecimento à associação de apicultores da sua zona, caso seja associado.

  • Após a entrega, deve ser apresentado um certificado veterinário ou folha de análises dos indivíduos adultos e criação para o transporte das caixas. O  pedido de transumância correspondente, de acordo com a respetiva ordem do serviço veterinário, também serve para o transporte. Sem estas burocracias não pode usar a AED.

  • Entrar na seção da EAD só é permitido com o consentimento ou na presença da equipa ou gerente.

  • Esta ordem de documento entra em vigor com sua publicação na página oficial da associação nacional Abbey-Associação Buckfast Portugal e é válida até que surja uma revisão.


Seminário

Relatório sobre o seminário internacional. 
A Buckfast Portugal organizou, pela segunda vez, um seminário internacional e contou com conferencistas nacionais e internacionais de apicultura. O evento realizou-se na Branda da Aveleira, em Melgaço, nos dias 6 e 7 de Abril de 2019. A realização deste seminário inseriu-se na temática "reprodução-apícola", tem como um dos seus objetivos principais promover a troca de experiências e de conhecimentos entre apicultores, criadores, técnicos e investigadores nacionais e estrangeiros, através conferências e projetos práticos. A particularidade deste evento esteve no facto de se tratar de um seminário bilingue, aceitando comunicações escritas e orais em português, inglês e alemão.
A Branda da Aveleira recebeu-nos com um enorme manto branco, paisagem única e de uma enorme beleza. Contudo, esta trouxe alguma dificuldade à nossa mobilização, mas graças ao enorme esforço do Agostinho Alves (Presidente da Junta de Freguesia da Gave) o percurso tornou-se mais fácil. Obrigado pelo apoio!
O evento decorreu nas instalações do Restaurante "O Brandeiro", na Branda da Aveleira, em Melgaço.
 Img. 26 (Colmeia de visualização)

 Img. 27 (Dr. Manoel Baptista)

A Sessão de Abertura iniciou-se às 10h00 do dia 6 de Abril. Na Sessão de Abertura, estive presente a Presidente da Buckfast Portugal, Carla Esteves, que iniciou com umas palavras de agradecimento e boas vindas. Agradeceu a todos os profissionais e amigos que ajudaram a tornar este seminário possível.
O Senhor Presidente da Câmara Municipal de Melgaço, Dr. Manoel Baptista, apoiou e sublinhou a mais-valia da atividade apícola na zona de Melgaço. Obrigado ao Município de Melgaço, na pessoa do Sr. Presidente e da D.ra Isabel Domingues, que nos recebeu de braços abertos e nos ajudou em tudo o que foi possível.

O primeiro painel, moderado por Alberto Dias, Presidente da Associação Apícola de entre Minho e Lima, iniciou, às 10h30, com a primeira palestra, pelo apicultor-criador Paulo Gonçalves, sobre “A Importância de uma estação de acasalamento dirigido para as abelhas Buckfast na Branda da Aveleira”.
 Img. 28 (Alberto Dias pesidente da APIMIL)

 Img. 29 (Paulo Gonçalves)


Img. 30 (Dr. Paulo Russo)


Img. 31 (Dr. Erik Osterlund)

O Prof. Dr. Paulo Russo de Almeida proferiu a segunda palestra  intitulada “Os Benefícios da diversidade genética nas abelhas”. Dr. Eeik Osterlund apresentou a terceira palestra acerca das “Experiências com abelhas resistentes à varroa (VSH)”. Devido ao caracter bilingue, esta conferência foi traduzida do Inglês para português. Agradecemos a excelente tradução de Pedro Barbosa.


O segundo painel, moderado por Xosé Romar, Presidente da Associação Galega de Apicultura, iniciou com a quarta  palestra, às 15h00, pelo Dr. Joaquim Pífano sobre “Flora apícola e alimentação artificial”.
Miguel Meneses apresentou a última das palestras do dia 6 de Abril, intitulada “Conbater a Vespa velutina ”.
Obrigado Alberto Dias, Paulo Russo, Erik Österlund, Xosé Romar, Joaquim Pífano, Miguel Meneses, Matthias Engel pela partilha da vossa sabedoria
 Img. 32 (Xosé Romar presidente da AGA)
 Img. 33 (Joaquim Pífano presidente da ADRAVIS)
 Img. 34 (Miguel Meneses)

Img. 35 (Grupo de apicultores, criadores, técnicos e investigadores nacionais e estrangeiros)

No fim da tarde do dia 6, após a mesa redonda, Paulo Gonçalves fez o enceramento dos dois painéis, seguindo-se a habitual cerimónia de entrega de recordações e o respetivo certificado de participação.
Img. 36 (Grupo de apicultores, criadores, técnicos e investigadores nacionais e estrangeiros)

Img. 37 (Mattias Angel)


Img. 38 (Mathias Angel e Elsabete Reis)

No início da manhã do segundo dia (7 de Abril), teve lugar a quinta e última palestra, realizada por Matthias Angel, sobre “Inseminação Artificial - SDI e MDI”.
Obrigado, Elisabete Reis, pela excelente tradução do alemão para português, permitindo a todos os presente apreender a sabedoria deste mestre da apicultura.
De tarde, decorreram as visita técnica ao Apiário de Virtelo de abelhas Buckfast. No decorrer desta visita foram observados e discutidos  princípios, conceitos e métodos.



Img. 39 (plateia da conferencia de Erick)

A organização deste seminário contou com o patrocínio e apoio de várias instituições e entidades. Obrigado aos nossos patrocinadores e colaboradores: Município de Melgaço; Alvaianas; Casa do Xisto; Caixa de Crédito Agrícola; Restaurante "o Brandeiro" e ProApis. 
 O apoio destas entidades foi sempre expresso durante o seminário (incluindo na página web do bloog e facebook da Buckfast Portugal). A Comissão Organizadora expressou publicamente o seu agradecimento a todos os que trabalharam, colaboraram e apoiaram este evento. 
Vários apicultores e amigos brindaram-nos com a sua presença, vindos de todo país, vizinha Espanha, Suécia, Alemanha, Suiça, França.
 E por último, e não menos importante, fica o nosso muito obrigado à família Buckfast (associados), por todo o apoio e por estarem sempre presentes. Juntos vamos caminhar neste importante e precioso trabalho. Um bem-haja a todos.






Apiturismo



Img. 40 (Grupo de turistas)



Img. 41 (Abelhas)



Img. 42 (turistas brincam com as abelhas)



Img. 44 (Favo de mel)



Img. 45 (turista segura quadro com abelhas)



As abelhas estão na moda. O mundo considera-as o animal mais importante do planeta, e são. Os apiários da Branda da Aveleira e de Virtelo estão cheios de encantos, paisagens  diversas e de beleza invulgar. As abelhas Buckfast desses locais tem, aos poucos, vindo a conquistar um lugar de destaque no Apiturismo nacional e internacional. Muitos dos turistas integram-nas no seu circuito e não se arrependem. Trata-se de uma atração turística inserida no Turismo Rural e permite ao “turista” uma experiência ímpar: estar próximo de uma colmeia; ser acariciado por abelhas Buckfast que beijam nossas mãos e, por vezes, o rosto; aprender sobre abelhas, pólen, geleia real, cera, apistoxina, própolis e talhar um naco de mel e lambuzar-se, mesmo ali, entre as abelhas em festa pela alegria da nossa presença: isto é fazer Apiturismo e mudar radicalmente o relacionamento entre o ser humano e a abelha. 


«ponto da situação»



Img. 47 (Logotipo da Buckfast Portugal)

Fornecer material genético aos associados é de grande responsabilidade. Muitas vezes parece que os associados nos impõem a obrigação de ceder o que temos e o que não temos. Todos sentimos o stress associado às exigências do nosso dia-a-dia. 
 À medida que vamos crescendo, encontramos resposta para que todos os associados possam ter acesso ao material genético. Entendo que existem associados que não foram atendidos da melhor forma, mas isso não é desculpa para o abandono. Pelo contrário, devemos continuar a apoiar esta causa para criarmos soluções para melhorar este método sustentável de criação de rainhas Buckfast.

De acordo com o nosso trabalho, os associados criadores devem fornecer informação sobre o pedigree e o conteúdo a apresentar poderia perfeitamente fazer-se acompanhar de um pequeno relatório anual das atividades dos trabalhos com Buckfast Apis Mellifera.

Da minha parte fica a esperança que assim tudo continue.


Bibliografia



Este relatório apresentado por Paulo Gpnçalves, está pronto e vai fazer parte dos arquivos da Buckfast Portugal.


Pedigree


BUCKFAST 2019



Acima, um árduo trabalho, Paulo Gonçalves mostra a organização e reprodução, tornando, o processo mais rigoroso.

VISITA AO CRIADOR PAULO GONÇALVES E À ESTAÇÃO DE ACASALAMENTO DIRIGIDO


UM DIA COM ABELHAS BUCKFAST 



João Manuel Esteves
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O Magnífico Norte




















No final de junho de 2019 tirei uma semana para viajar pelo norte do país. Passámos por Mangualde e pelo distrito de Viseu, descemos o vale do Douro pela margem sul, visitámos aldeias e lugares das serras do Gerês e da Peneda. Enchemos os olhos de paisagens encantadoras, de belos exemplos arquitetónicos das nossas vilas e aldeias, do nosso passado, da nossa história e das nossas gentes, afáveis e acolhedoras... para não falar na comida. A viagem terminou em Melgaço e não foi por acaso. Estava combinado um encontro com o Paulo Gonçalves, personalidade incontornável da associação Buckfast portuguesa. Uma visita de amizade, trabalho e estudo (3 em 1).


Apiário 1





















Passámos a manhã do dia 29 nos apiários do Paulo.

Visitámos primeiro aquele em que está o material genético Buckfast.

Muito bem localizado, numa encosta íngreme, ensombrada por árvores altas que protegiam das horas de maior calor.

Abrimos colmeias e mais uma vez constatámos a docilidade das abelhas e como é fácil manuseá-las sem o recurso a fatos de proteção ou fumo. Durante as manipulações elas mantiveram-se calmas, nos quadros, fazendo o que tinham a fazer, sem parecer importar-se muito com a intromissão. As abelhas não levantavam dos quadros e não havia qualquer tentativa de ataque ou mesmo de desconfiança. Este comportamento facilita sobremaneira as intervenções. Tudo se torna mais fácil, confortável e até prazeroso.

Outra qualidade destas abelhas é a pouca tendência para enxamear. Pode-se contar com um elevado grau de certeza que, no primeiro ano de postura da rainha, a colónia não vai enxamear e muitas colónias não enxameiam nunca durante toda a vida da rainha. Quando ela chega ao fim de vida, a colónia substitui-a sem enxamear.

Esta é uma vantagem muito grande em termos de maneio: são necessárias menos visitas ao apiário durante o período de enxameação e há menos perdas de produção devidas à saída de enxames. Esta é uma vantagem tanto maior quanto maior for o efetivo. Os benefícios são óbvios quando se tem 100 ou 200 colmeias, mas tornam-se imprescindíveis quando se tem 500 ou mil.
Falámos muito de inseminação instrumental e de processos de seleção. O Paulo usa basicamente velhas linhas Buckfast selecionadas pelo irmão Adams (Old Buckfast). Os zângãos usados tanto para inseminação como na estação de acasalamento dirigido são da linhagem Sinop, muito consolidada e de valor reconhecido. Talvez a linhagem mais utilizada pelos criadores Buckfast em linhas de zângãos.

Antes de passarmos ao apiário seguinte, a poucos quilómetros dali, ainda recolhemos a rainha que eu lhe tinha enviado para fertilização instrumental, uma Athos, agora já com boa postura operculada, uniforme.



Apiário 2























O segundo apiário era um dos apiários de produção do Paulo. Aqui, bem como nos seus outros apiários de produção ele usa predominantemente abelhas F1.
  • será que há alguma vantagem na utilização de colónias híbridas na produção e essa ser a sua preferência?
  • será que é por ser difícil manter um elevado número de colónias puras num ambiente em que outras estirpes de abelhas dominam e, portanto, isso ser uma necessidade para ele?

Alguns criadores defendem que as híbridas de primeira e segunda geração podem ser mais produtivas, ao mesmo tempo que mantêm algumas das qualidades Buckfast. Não sei se é essa a opinião do Paulo.

Para a maioria dos apicultores com abelhas Buckfast torna-se complicado manter abelhas puras, mas não será esse o caso dele, uma vez que pratica inseminação instrumental e dirige a estação de acasalamento...

Fica a pergunta no ar.


Estação de Acasalamento Dirigido





















Fomos depois à Branda da Aveleira, visitar a Estação de Acasalamento Dirigido.

Fica num vale apertado com um pequeno curso de água. De acordo com o Paulo, aquelas encostas são altas o suficiente para impedir as rainhas de as transporem e serem fecundadas noutras zonas.

Os zângãos são produzidos por cerca de 30 colónias F1, todas irmãs, filhas de uma matriarca Sinop, selecionada pelo Paulo de acordo com os critérios de criação do irmão Adam.

Como é um apiário de montanha a estação começa um pouco mais tarde, com os primeiros zângãos a atingirem a maturidade sexual não antes da segunda metade de março.

O calendário é atempadamente divulgado e os preços são muito razoáveis, especialmente para os associados da Abbey — Associação Buckfast Portugal.





















A Estação Buckfast de Acasalamento Dirigido:
  • É uma peça fundamental para os apicultores portugueses e espanhóis amantes da abelha Buckfast, especialmente para os que estão mais perto daquela região de Melgaço. Sem essa ferramenta, o apicultor ou compra sistematicamente rainhas para substituição ou recorre à inseminação instrumental, adquirindo para isso o equipamento e os conhecimentos necessários para a fazer ele próprio ou compra o serviço de inseminação a quem o venda. Qualquer destas alternativas é mais dispendiosa do que a utilização da estação de acasalamento que é também o processo mais prático: o criador manda ou leva as suas rainhas virgens nos núcleos de acasalamento para a estação e recebe-as de volta ou recolhe-as ele próprio, depois de verificada a postura pelo operador da estação, neste caso o Paulo, que faz também as verificações à chegada e trata da receção e envio quando necessários.
  • Credibilidade. É a Associação Buckfast Portugual e os seus associados que lhe dão suporte e atestam a qualidade da linha de zângãos utilizada. Quando se compram rainhas Buckfast em Portugal, a preços razoáveis, as garantias de qualidade são frequentemente duvidosas e as que se importam de criadores conceituados são demasiadamente caras para um programa consistente e continuado de substituição de rainhas. A estação de acasalamento é a única opção séria para quem quer manter abelhas puras, se não se quiser ou puder fazer inseminação.
  • Risco de contaminação genética — O maior risco numa estação de acasalamento é a contaminação genética. Manter o perímetro de acasalamento livre de contaminação é o maior desafio. Esta é uma tarefa contínua e permanente. O Paulo sabe-o e certamente que faz tudo por isso, mas a delimitação de uma área de proteção com um raio de 10 quilómetros em torno da estação é a única forma segura de manter uma estação de acasalamento a funcionar com garantias e isso, só as autoridades competentes podem determinar. Os trâmites legais foram iniciados; esperemos que as autoridades competentes reconheçam a extrema necessidade que ela representa para os apicultores Buckfast em Portugal e deem a sua aprovação. Compete-nos a nós, apicultores interessados, fazer pressão nesse sentido. Cada um individualmente na sua esfera de ação, nos seus contactos pessoais, nas redes sociais, expressando a sua opinião e necessidade, por exemplo, mas também enquanto associação, definindo uma estratégia de “lobbying” que promova a ideia e influencie opiniões nos sítios e pessoas de decisão. Somos poucos, é um facto, precisamos de ser mais, de fazer a Associação Buckfast Portugal crescer para ser mais influente. Precisamos de valorizar o que nos une e desenvolver um trabalho de qualidade também na melhoria das abelhas que usamos e produzimos, nomeadamente nas suas qualidades de comportamento higiénico e de tolerância à varroa. Aqui também a estação de acasalamento pode ter um papel determinante.























Antes de voltarmos a Melgaço para o almoço, ainda tivemos tempo para uma prova de mel. O Paulo tirou, de um quadro com mel operculado, umas amostras para provarmos o mel produzido na estação. Para mim foi uma revelação: o sabor era distinto de tudo quanto já tinha provado antes, muito doce e de cor muito clara. (O néctar dominante naquele mel é da abrótea, Asphodelus albus.)


Amizade e Boa Mesa

De volta a Melgaço, almoçámos juntos à volta de boa comida e boa conversa.

Fizemos planos para o futuro próximo e falámos um pouco de tudo e de nada.

Pena que a Carla Esteves, presidente da Abbey, não pudesse estar presente. Teve de fazer a cobertura foto jornalística de um evento de ciclismo. Nós vimos os ciclistas passar, bem sentados, através das montras do restaurante... enquanto nos deliciávamos com a bela comida minhota... Felizardos!

Obrigado Paulo! Foi um prazer!

Até à próxima!